29 de setembro de 2011

Tragédia anunciada ou Paranóia Midiática?

A tragédia de São Caetano, onde um garoto de apenas dez anos atirou contra sua professora e depois se suicidou, trouxe a tona um cruel de-serviço prestado pelos meios de comunicação, a sociedade brasileira.
A superexposição e o sensacionalismo criados em torno de tragédias deste porte, criam uma espécie de enorme vitrine de exposição. Sabe-se que os meios de comunicação são ferramentas contundentes na formação de opinião, onde outras mentes buscam sua formação, o que nestes casos é tão trágico quanto as tragédias apresentadas.
Veja abaixo a sucessão de reportagens e de casos que explodiram Brasil afora com a temática da tragédia de São Caetano, reproduzindo tragicamente uma triste realidade paulista.


Professor flagra estudante com arma dentro de escola:
http://www.atribuna.com.br/noticias.asp?idnoticia=116454&idDepartamento=11&idCategoria=0

Criança leva arma à escola e diz que precisava se defender:
http://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/rs/crianca+leva+arma+a+escola+e+diz+que+precisava+se+defender/n1300058619028.html

Aluno leva arma para escola e diz tê-la encontrado em campo de futebol no ES:
http://noticias.r7.com/videos/aluno-leva-arma-para-escola-e-diz-te-la-encontrado-em-campo-de-futebol-no-es/idmedia/be0f8971e4c2f70d46d66c089d1200ba-1.html

Estudante leva arma em colégio que custa R$ 1.600 por mês no Itaim Bibi, em São Paulo:
http://oglobo.globo.com/sp/mat/2009/03/27/estudante-leva-arma-em-colegio-que-custa-1-600-por-mes-no-itaim-bibi-em-sao-paulo-755028229.asp

Estudante leva arma para escola e se fere dentro de sala de aula:
http://g1.globo.com/Noticias/SaoPaulo/0,,MUL395011-5605,00-ESTUDANTE+LEVA+ARMA+PARA+ESCOLA+E+SE+FERE+DENTRO+DE+SALA+DE+AULA.html

Aluno armado no recreio da escola:
http://www.cmjornal.xl.pt/Noticia.aspx?channelid=00000181-0000-0000-0000-000000000181&contentid=25EF41E8-3E75-4BF1-883E-9B2117CB473B

Estudante leva arma para escola, dispara acidentalmente e se fere em BH:
http://www.estadao.com.br/noticias/cidades,estudante-leva-arma-para-escola-dispara-acidentalmente-e-se-fere-em-bh,693827,0.htm

Aluno leva arma para escola em Manaus e sai baleado:
http://d24am.com/noticias/amazonas/aluno-leva-arma-para-escola-em-manaus-e-sai-baleado/25292

Intimidado, estudante leva arma para a escola:
http://www.oestadoce.com.br/?acao=noticias&subacao=ler_noticia&cadernoID=19&noticiaID=55053com.br/?acao=noticias&subacao=ler_noticia&cadernoID=19&noticiaID=55053

11 de agosto de 2011

Vereador de Jacareí chama professores de 'frustrados'

O vereador Dario Bueno (DEM), de Jacareí (91 km de São Paulo) e mais conhecido como Dario Burro, postou uma série de comentários em sua conta oficial no Facebook criticando o comportamento dos professores da rede pública.

Em um dos textos, o político diz que os professores "descontam frustrações nos estudantes".

"O professor gostaria de ser engenheiro, não consegue e vai dar aula de matemática; outro queria ser Advogado, não consegue e vai dar aula de português; outro queria ser médico e vai dar aula de biologia", disse Burro na sua conta na rede social.

O volume de comentários contra os professores ganhou força no último dia 3 e, até as 13h07 desta quarta-feira, ele já havia postado 17 mensagens diferentes sobre o tema.

No primeiro deles, Burro critica as palestras nas escolas. "Professores adoram palestras nas escolas! Assim eles não precisam dar aulas. Transferem o dever para o visitante. O voluntário faz de graça o que os professores são remunerados para fazer!".

Depois de receber críticas de professores, Bueno postou: "Confirmado ficou o autoritarismo dos professores! Detestam ser contrariados e querem punir, punir e punir. Deveriam educar, mas não são comprometidos o suficiente para isso!".

Em um dos comentários, Burro critica o Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica), avaliação promovida pelo governo federal. "Ideb? As crianças são treinadas para o Ideb assim como muitos são treinados para o vestibular!".

Em outra postagem, o vereador fala sobre uma suposta "pedagogia do fracasso": "Se a escola é onde se cultiva a inteligência, a escola deveria ter mais soluções do que problemas. Os professores se sentem importantes por praticar a pedagogia do fracasso!".

A reportagem não conseguiu localizar o vereador nesta quarta-feira.

Em nota, a Apeoesp (sindicato dos professores) criticou as declarações, afirmando que a opinião de Burro "ofende a categoria, demonstra total desconhecimento sobre a escola pública, descompromisso com a educação e despreparo do parlamentar para a vida pública".

A presidente da entidade, Maria Izabel Noronha, diz que estuda as "medidas judiciais cabíveis" em relação ao vereador.

fonte: http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/957444-vereador-de-jacarei-chama-professores-de-frustrados.shtml

29 de junho de 2011

Escolas públicas de São Paulo recusam adolescentes que cumprem medida socioeducativa fora da Fundação CASA

Escolas de SP recusam alunos em liberdade assistida

Escolas públicas de São Paulo recusam adolescentes em liberdade assistida, ou seja, que cometeram infração e cumprem medida socioeducativa fora da Fundação Casa. O Ministério Público e organizações não governamentais (ONGs) que trabalham com a assistência a esses jovens têm recebido denúncias de familiares que não conseguem efetuar a matrícula. Há relatos de alguns que perderam o ano letivo. Pela lei, todas as crianças e adolescentes têm direito à educação.

Um dos casos investigados pela promotoria ocorreu na Escola Estadual Martins Pena, na zona sul da capital paulista. Apesar de terem efetuado a rematrícula no fim do ano passado, 21 alunos foram transferidos compulsoriamente para uma escola municipal. Só souberam da notícia no primeiro dia letivo, ao serem impedidos de assistir à aula. "Foi uma expulsão branca", diz César Barros, orientador social da Crê Ser, ONG que acompanha dois dos jovens transferidos. O retorno à escola de origem só foi possível graças à mobilização das famílias e à intervenção da Defensoria Pública.

Como frequentar uma escola é obrigatório para quem está em liberdade assistida, ficar fora dela atrapalha a finalização do processo. "Pedi à Secretaria Municipal de Assistência Social a relação das ONGs que trabalham na reinserção desses jovens. Quero saber em quais escolas elas enfrentam resistência", diz João Paulo Faustinoni e Silva, promotor do Grupo de Atuação Especial de Defesa da Educação (Geduc).

Além do problema estrutural da rede, que opera com carência de vagas, os técnicos citam como motivos da exclusão de razões conhecidas - como a suposição de que esses alunos são indisciplinados e de que os pais não querem que os filhos estudem com um menor infrator - a gargalos mais tênues, como a distorção entre série e idade.

Na cidade de São Paulo há 4.447 adolescentes em liberdade assistida. Com idade de entre 12 e 18 anos, esses adolescentes cometeram algum ato infracional. Parte deles passou um período internado na Fundação Casa e outro tanto foi sentenciado a cumprir apenas essa medida socioeducativa. Durante a liberdade assistida, o jovem vive com a família e recebe acompanhamento de um orientador social. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

15 de junho de 2011

Mais uma do Inimigo nº1: Em São Paulo somente professor que atingir meta terá bônus

Insistindo na prática da MERITOCRACIA na educação, o governo do estado de São Paulo (PSDB-Alckmin) mantém a política de "prêmios" aos que atingem suas metas nas avaliações de mérito!

A Secretaria de Educação de São Paulo vai dar, a partir do ano que vem, bônus para todos os profissionais do magistério que atingirem a meta na prova de mérito. Hoje, mesmo atingindo a meta, apenas 20% deles são promovidos. Além disso, a pasta não vai mais utilizar apenas a prova para conceder o mérito - outros indicadores, que ainda estão em discussão, devem contar para o docente progredir.

As mudanças, elaboradas em conjunto com a Secretaria de Gestão Pública, constam na nova lei do plano de carreira e política salarial, assinada ontem à noite pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB), que segue hoje para a Assembleia Legislativa.

Com os novos critérios, um professor no estágio mais alto da carreira, com jornada de 40 horas semanais, conseguirá acréscimo de 183,05% no salário, afirma a secretaria. Atualmente, o docente consegue até 143, 12% - isso se estiver entre os 20% que recebem o bônus.

Hoje, um professor pode avançar em dois eixos: vertical e horizontal. O eixo vertical é a promoção por mérito, que ocorre apenas por meio da prova e tem cinco níveis. A cada avanço, o docente recebe 25% de aumento sobre o salário-base. Agora serão oito níveis de carreira - ou seja, ele fará mais avaliações - e o aumento será de 10,5% em cima do salário anterior. Ou seja, ele vai acumular os acréscimos. O máximo a ser atingido será de 101,16%.

Além disso, a secretaria não vai considerar somente a prova - que agora poderá ser feita a cada três anos - para dar essa evolução na carreira.

O Estado apurou que a pasta discute considerar, além do exame, o desempenho da turma; fazer simulações de situações do cotidiano escolar para verificar como o professor lidaria; avaliar o docente em sala de aula; e criar um sistema em que pais e docentes avaliem o trabalho da escola.

A pasta quer discutir os outros indicadores a partir de encontros com especialistas e com as diretorias regionais, com a criação de uma comissão paritária.

Hoje, o eixo horizontal - ou seja, a progressão na carreira - também ocorre em cinco níveis. Um docente que tem doutorado, por exemplo, pula direto para o último nível. Agora também haverá oito níveis, incentivando o professor a estudar mais. A pasta quer valorizar a formação acadêmica e estimular a realização de pós-graduação e a formação continuada. Cada "pulo" de faixa significará um aumento de 5%. O máximo que poderá ser atingido nesse eixo será de 40, 71%.

"As propostas apresentadas objetivam tornar viável e reconhecer a importância da evolução acadêmica e do envolvimento e dedicação dos servidores com as atividades fins da escola", disse ao Estado o secretário da Educação, Herman Voorwald.

15 de abril de 2011

Chile põe publicidade em livro didático

Na Vanguarda da Privatização do Ensino Público, o país apresenta suas armas! Em experiência na rede particular, onde alunos leem diariamente anúncios sobre as vantagens de ter determinados produto, medidas preparam o terreno para as ações na Educação Pública!

SANTIAGO - Entre uma lição e outra, um anúncio de página inteira diz o quanto é bom ter o último modelo de celular e como é gostoso o cereal feito pela maior produtora de alimentos no mundo. Propagandas como essas são lidas diariamente em sala de aula por milhares de alunos menores de 12 anos de escolas privadas do Chile e têm provocado um debate nacional entre pais, educadores e autoridades, num dos países economicamente mais liberais da América do Sul.

Em livros de espanhol, sites de empresas privadas aparecem como "sugestões complementares de leitura". Os estudantes também veem banners, logotipos, embalagens, jingles e outras peças publicitárias dirigidas justamente às crianças, um público conhecido por seu apetite voraz de consumo e pelo poder de persuasão diante dos pais.

Num dos livros, o enunciado convida o estudante a cantar: "Meu primeiro Claro (celular) é a forma mais legal de falar com meus amigos." O conteúdo - difundido pela empresa no último Dia das Crianças - é apresentado a alunos da 5.ª série em um livro de Linguagem e Comunicação de uma das maiores editoras do Chile, a Santillana.

O Ministério da Educação defende o valor educativo dos textos publicitários, mas, diante das crescentes reclamações de pais e professores, começou a admitir pela primeira que talvez a iniciativa tenha ido longe demais. As editoras garantem que não recebem por divulgar os anúncios. Pelo contrário, pedem autorização às empresas.

Carmen Ureña, vice-diretora da editora Santillana, diz que "a utilização de marcas reais nos textos de Linguagem e Comunicação não constitui de forma alguma publicidade porque a editora não recebe dinheiro dessas empresas para que figurem no material pedagógico".

O ministro da Educação, Joaquín Lavín, defendeu-se dizendo que as propagandas pretendem somente "fazer com que as crianças enfrentem melhor a publicidade a qual estão expostas todos os dias, nas ruas e na televisão".

No entanto, depois de muita pressão, Lavín reconheceu que as peças publicitárias "deveriam ser fictícias, para que as crianças aprendessem sobre propaganda sem que fossem expostas a uma marca determinada".

Educadores lembram que, ao contrário do que ocorre nos canais de televisão, os estudantes não podem virar a página ou mudar de canal para fugir das peças quando estão em sala de aula.

Fáceis de decorar. A estudante María Jesús Manosalva, de 11 anos, estuda em uma das escolas mais tradicionais da cidade de Temuco, no sul do Chile. Em seu livro de espanhol há duas propagandas de empresas privadas que ocupam quase meia página cada uma.

"Os anúncios são bonitos, coloridos e fáceis de decorar. Eles ficam na cabeça. Eu gosto deles", disse María, que, como a maioria das crianças do Chile, é consumidora de todos os produtos anunciados em seu livro.

Em um dos exercícios, é apresentado um anúncio colorido de meias infantis. Ao lado, um questionário pergunta a marca, o nome, o tipo e o fabricante do produto, além de pedir para a aluna repetir o slogan por escrito e circular as palavras "você adora, você sonha".

"Quando vi a polêmica nos jornais me lembrei imediatamente dos livros que a minha filha usa. É um absurdo que isso esteja ocorrendo. Todos os amiguinhos de classe têm celular, consomem esses produtos. O que acontece aqui é influência sublimar em um público que ainda não dispõe de senso crítico", disse a mãe de María, Anita Mora Neumann.

"É muito preocupante que empresas comecem a lucrar no campo aberto das salas de aula, fazendo propaganda de graça para crianças que não têm a menor capacidade de filtrar esses estímulos", afirmou ao Estado Barbara Figueroa, diretora de Educação e Aperfeiçoamento do Sindicato Nacional dos Professores do Chile.

"Isso é algo que vai contra o próprio sentido da educação porque põe o lucro acima da formação dos alunos. Vamos estudar ações legais para proteger as crianças. Regular essa relação deveria ser uma das responsabilidades do Estado", disse Figueroa.

No Congresso. A conivência do Ministério da Educação já se tornou alvo de críticas também da oposição no Congresso. "Não é possível que avisos publicitários escondidos sejam aceitos pelo Ministério da Educação, com fotos e logotipos associados a empresas de celular, de alimentos e de bebidas", disse o senador democrata cristão Mariano Ruiz Esquide. "Essa ideia de que o mercado deve ser conhecido desde as mais baixas faixas etárias e em matérias que não são controladas por ninguém é um erro", acrescentou.

As discussões, que tiveram início entre pequenos grupos de pais descontentes, ganhou as páginas dos principais jornais do Chile e pode terminar com processos na Justiça e até mesmo a abertura de uma investigação parlamentar contra o Ministério da Educação.

TRECHOS: "Meu primeiro Claro (celular) é a forma mais legal de falar com meus amigos...Meu primeiro Claro é estar longe e me sentir em casa. Se fala Claro, é claro que tem mais."

fonte: www.estadao.com.br/estadaodehoje/20110410/not_imp704193,0.php